Hoje, na França, não é feriado, mas o país inteiro decidiu declarar greve e está o mesmo clima… Até a chuva que cai em Conquista deu o ar da graça também em Grenoble. Quando criança eu costumava desenhar a giz toda a calçada com bandeiras do Brasil. Adolescente, ia orgulhosa com a Maçonaria desfilar pela Avenida Brumado entre Filhas de Jó, DeMolays e mestres maçons, enquanto um locutor narrava a história da Maçonaria em Conquista, seus princípios e destacava o patriotismo. Também desfilavam as escolas públicas, os soldadinhos do Tiro de Guerra e era a deixa para Painho que sempre contava a mesma história de como é importante o serviço militar na formação de um homem, de um brasileiro, do soldado disposto a morrer pela pátria. Ufanista na medida, aprendi o Hino Nacional, Hino da Bandeira, Hino da Independência e era a única da turma que sabia o Hino de Conquista (o de 2 de Julho, curtinho que é, nunca consegui gravar). Deve ser por isso que eu era tão esquisitinha no ginásio, nada popular… Até conhecer o axé!
Sempre gostei de hinos e, velha, acho às vezes que nasci em época errada. Nas aulas de História de minha eterna mestra Mércia eu embarcava, viajava para o contexto histórico e tentava pensar como quem ali vivera. Fazia associações, anacronias e imaginava a motivação daquele a quem era incumbida a função de criar um hino, uma melodia letrada que fizesse unidos e representados os cidadãos. Um hino que evocasse a emoção, a solidariedade, o sentimento, que fizesse-nos una enquanto nação. E o da Independência me parece tão contextualizado, de letra tão simples mas tão coerente com o momento histórico, que gosto de cantarolar vez em quando o refrão: “Brava gente brasileira, longe vá… temor servil: ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil!”.
Gosto de reviver datas históricas: me leva de volta aos bancos da Sacramentinas e às lições de História e de vida que aprendi ali. Faz lembrar os olhos que tinha, a sede que conservo, a promessa à Adma ainda não cumprida, a reciprocidade entre Mércia e eu. Traz as saudades das peças e festividades escolares, a aquisição de consciência, a regra do aprender com o passado para bem moldar o futuro. Tenho paixão por História, tenho paixão pelo Brasil e vou desfilar de verde-amarelo hoje por Grenoble. Se der sorte encontro alguém disposto a conversar sobre o Dia do Fico, sobre a série O Quinto dos Infernos (genial!!), sobre a Maçonaria no processo de independência… com sorte extra consigo uns minutinhos de Juliano pelo skype!