Um mês atrás vivi cenas que agora me parecem, e em tão curto intervalo de tempo, familiares. Despedida. Lembro dos abraços, da agoniazinha no peito pela consciência de não correr mais o gostoso risco de encontrar os amigos em qualquer esquina, em qualquer atalho. Pelo próprio ritmo acelerado que a vida nos impõe, no dia seguinte aos “até breve” e “volto logo” foi uma série de “oi, você”, “muito prazer”, “meu nome é Carolina, e o seu?”. Encontros ao acaso na secretaria Berlioz, na parada Les Taillés, conversas regadas à Smirnof Ice no Jardin de Ville, caminhadas de madrugada de volta pra casa, overdose de pão de queijo, invasão à la piscine da residência/resort Huille Blanche, churrasquinhos semi-interrompidos no campo de futebol, Bukana, Bukana, Bukana, cantarolar junto Teu Beijo, Vanessa da Matta e até Vítor e Léo.
Bem relativo pensar em quanto tempo demora um mês pra passar. Em um mês conheci gente. Em um mês vivemos juntos. Em um mês gostei, desgostei, descobri, abracei, dancei, quase estudei, fiquei. Fiquei, mas alguns passaram. E agora na minha história em Grenoble eu enxergo uma lacuna gigante de dois metros de altura. Berlioz sem o humor cru e bruto de Brunão não é Berlioz. Quem, agora, pra me dar queimas¹? Cadê o grandão pra eu ligar tooda animada de manhã, cheia de alegria pra compartilhar, dar aquele bom dia e receber um seco “oi”? Não vou nem mentir que ele tenta ser bruto, mas é só ternura! rs
Sem falar no desaforo que é neguinho ir pra Rouenne (c’est comme ça?) e ainda levar o violão! Esse noveleiro também vai fazer falta e eu não sei com quem vou comentar o final de Caminho das Índias agora! Já estou morrendo de saudades da companhia bonita e dos papos com meu ursinho Pimpão, tão gentil, tão sympha e, por que não dizer, tão prendado! Meu parceirinho de xote que foi o único inteligente que lembrou de trazer polvilho pra pão de queijo… agora só indo à Lyon pra sentir de novo o gostinho de Minas.
Au revoir pra o marrento do Supla, pra o noveleiro do Lepra, para o ursinho Marcelo e para o Shrek e só o que nos resta agora na Berlioz é o dengoso! Latin lover se foi e partiu não só o coração do ‘Yurí’, que vai ficar muito mais dengoso agora, como também das japas que só suspiram por ele porque não sabem o quanto é espaçoso e como ele não sabe escolher vinho… (rs)
Mas vão-se os noivos e ficam as panelas, não é Rafael?! (kkk) Bem feito!!! Desfazer malas de novo, limpar a chambre, descobrir a localização dos Casinos da vida, fazer carteirinha disso, carteirinha daquilo, beijar o Didier, tudo isso com o Brunão super alegre do lado! Eu avisei que Grenoble ia conseguir ser melhor em setembro do que foi em agosto, a residência já está com um movimento enorme, gente pra lá, gente pra cá, os restaurantes abrindo, tanta coisinha boa pra fazer aqui que não tem em Lyon… Mas pra fazer-lhes um dengo, voilà: tudo vai ter um porcento a menos de gosto porque vocês não estão aqui. De toda sorte, a mim restaram as panelas…
Boa sorte, meninos! Grande beijo!!!
¹ dar queima: dar shelp, dar corte, dizer as coisas sutis que Monsieur Brunão diz sem piedade.