Chegando à quinta aula da matéria Sistemas Policiais e Repressão ao Crime Organizado, o prof mais “ruyzinho” do semestre, ao qual alcunhei Monsieur Le Flic, me entrega um bloco de folhas de ofício. Vejo que se trata de uma possível bibliografia complementar para as provas, pois os títulos dos textos são os mesmos da sua exposição oral. Deixo o bloco de lado e começo a tomar nota do conteúdo que ele pacientemente dita. No intervalo, à primeira hora de curso, Elodie se aproxima: “veja que este documento É o curso; se tiver dificuldade de compreender a fala do professor é só ler o texto, pois é exatamente a leitura deste material que ele está fazendo”. CHOQUEI!!! Questões básicas e inevitáveis:
- Por que um professor universitário, ex-membro da Europol, fofíssimo e com bigodinho igual ao de Ruyzinho, passa 20 horas ditando aos seus alunos um livro quando poderia demandar a leitura chez nous e deixar para a sala de aula apenas os debates que aprofundassem o conteúdo?
- Por que os meus colegas estão nesse exato instante recopiando se eles têm em mãos o dito livro?
- Por que diabos eu estou fazendo esse “mestrado”?
Oh putain! Quer dizer que pendant 18 horas eu fiquei copiando um livro sem saber? Eu juro que tem duas colegas digitando “o ditado” e todos os outros copiando à mão algo que… ELES SUPER TÊM DIANTE DOS OLHOS, FOTOCOPIADO! E a brasileira dançarina que aparentemente não tem capacidade suficiente para conseguir um diploma fresco e de biquinho está embasbacada, ora sublinhando o que é mais importante, ora escrevendo essas linhas, ora recebendo sms de Lorreine e pensando em como o ensino jurídico na França é patético.