É. Há mesmo mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa razão, a nossa vã filosofia e o nosso senso do ridículo seriam capazes de conhecer. Não tenho muito a explicar diante do texto que segue, é já completo, sem necessidade de qualquer acréscimo. Limito-me a dedicar este post à Nega do Zimbabue, provavelmente “parenta” do Sabu Dinego, pois sem sua intervenção em minha vida eu jamais sentiria com tal intensidade aquela vergonha alheia pelo novo moranguinho agrotoxicado do Nordeste. Nasci senhora do universo, mas não nasci linda e absoluta, então sem Luciano Huck pra me comprar um Crossfox o que me resta é estudar, fazer esse mestrado, trabalhar, produzir conhecimento, fazer alguma diferença na sociedade e mostrar que “eu não sou mulher, não sou mulher de espera-á-ar”. Pegar um livrinho ali na estante, né! Batalhar pelo meu Crossfox…
Preciso desabafar.
Quero confessar uma coisa:
Sou mais uma vítima do “Furacão Stefhany”. Fui picado pela “Mosquinha do Crossfox”.
Fugi para os Alpes franceses em busca de refinamento, finesse, charme. Enquanto me encontrava aqui em minha alcova nevada, pensando que a piriguetisse brasileira nunca mais iria me abalar, trazendo aqueles pesadelos soturnos narrados pela voz de Augusto Liberato, eis que uma outra voz toca meus ouvidos: “Eu sou Stefhany!”, ela dizia…
Desde então, tudo desmoronou. Os queijos, os vinhos, o pólem voando pelo ar entre os cumes nevados dos Alpes, a balada francesa entoada pela sanfoninha… nada disso resistiu ao vírus-suíno-do-sertão “H1A1 Absoluta”.
Não existem mais barreiras. A piri-pi-piri-piri-pi-piriguetisse está em todo lugar. Você não pode correr, não pode fugir. Ela vai te pegar…
Meus amigos, em plena Gália, terra onde outrora Júlio César e sua XIII Legião custaram tanto a dominar, entoam canções de Stefhany enquanto caminhamos.
Minha namorada, em plenas paisagens européias, tira fotos “à là Stefhany”, imitando seu mais novo ídolo nordestino.
Meus heróis morreram de overdose e outras coisas mais, mas Stefhany sobrevive, invade! “Veni, vidi, vici”, diria ela sobre César, Piaf, Aznavour, Platini!
Estou de joelhos. Tentei resistir. Mas o ridículo não existe mais. O ridículo é não ser ridículo. O ridículo é “absoluto”!
É por essas e outras razões que eu, em plena St. Martin d’Hères banhada pelo doce sol de primavera, que traz as flores amarelas e brancas aos infindáveis campos europeus, me pego em uma tarde de sábado acessando o Youtube e encontrando Stefhany como uma das campeãs de acesso do público nacional. (Assistam isso!)
Do que é feito o sucesso? O que significa “competência”? De onde viemos? Para onde vamos? Isso nos faz repensar todos os nossos conceitos e nos reperguntar algumas questões-base da vida.
Na verdade, Stefhany é uma grande ruptura, uma grande quebra de paradigmas para todos nós. Ela é muito mais que uma piriguete do agreste: ela é uma “cisma”. Ela rompe com nossos conceitos, com nossas bases, e impõe um mundo novo, cheio de panos pendurados no corpo, maquiagens mal-feitas, aparelho nos dentes e danças amadoras.
Preparem-se para a nova ordem mundial!!!
Este é um desabafo de uma mente confusa…Att,
Pelúcio.PS. Todos os dados históricos e culturais desta mensagem foram fornecidos mais uma vez pelo “Instituto Marco Soares Júnior”.
Senhor Pelúcio, seus textos serão sempre bem-vindos nesse universo!