O Bolero de Isabel é canção de Jessier Quirino que não imagino em outra voz, a não ser na de Xangai, violeiro cantador conquistense que, nas palavras de Elomar, é “um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas¹“. Xangai e sua viola, e aquelas variações anasaladas que ele faz e… nos desfaz. Um tema simples, dito de forma simples, que nos evoca sensações ainda mais simples e as saudades do que ainda nem foi vivido. “Ter a cuca açucarada num beijo roubado, ficar bestando c’um inverno bem arrelampado”, sentir as coisas mais simples e ver que nelas estão as emoções mais fundas.
“Quer ver cenário é o vermelho da auroridade
É a claridade amarelada do amanhecer
É ver correr o aguaceiro pelo rio abaixo
É ver o cacho de banana amadurecer
Anoitecer vendo o gelo do branco da lua
E a pele nua com a lua a resplandecer
É ver nascer o desejo com a invernia
E a harmonia que o inverno fez nascer”
E QUE VENHA O INVERNO!!!
¹Casa dos Carneiros, minguante de maio de 1991